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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

'Eu escolhi isso', conta engraxate que mantém tradição em Campina Grande

Cadeiras de engraxates ainda existem
 na Praça da Bandeira (Foto: Taiguara Rangel/G1)
 Ofício é mantido até os dias atuais na Praça da Bandeira e no Calçadão.
Engraxate trabalha no Centro desde criança e hoje sustenta família.

Na mesma praça e no mesmo banco, o engraxate José Antônio Sales Silva, 30 anos, há mais de duas décadas tira o sustento da família, polindo os sapatos de frequentadores do Centro de Campina Grande. Ainda menino, começou a trabalhar na Praça da Bandeira e no Calçadão da Cardoso Vieira, locais que fazem parte dos 150 anos da cidade, comemorados neste sábado (11). Hoje, com dois filhos criados, preserva uma tradição campinense e faz do ofício seu meio de vida: "Já trabalhei com outras coisas, de jardineiro, servente de pedreiro e até vendi picolé, mas eu escolhi isso. Engraxar sapatos me garante um dinheiro certo", explica.

José Antônio começou a engraxa sapatos aos
 10 anos de idade (Foto: Taiguara Rangel /G1)
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Na década de 1940, o prefeito campinense Vergniaud Wanderley fez reformas na região central da cidade, desapropriando o largo onde ficava a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e transformando o local na Praça Índios Cariris, posteriormente rebatizada de Praça da Bandeira. A praça ocupa uma área de 3.550 m² e, em um dos seus lados, paralelo à avenida Floriano Peixoto, ficam as 'cadeiras de engraxates', preservadas até hoje.


Já o Calçadão foi criado na Rua Cardoso Vieira, entre as ruas Venâncio Neiva e Marquês de Herval, em 1975. Após passar por uma reforma, quando foi ampliado duas vezes, o local voltou a ser reduzido para o tamanho original na década de 1990. De acordo com frequentadores do local, o apelido “Jimmy de Oliveira” surgiu como homenagem a um adolescente que morreu na década de 1970, um caso que comoveu a cidade.

Desde os 10 anos de idade, José Antônio começou a frequentar os espaços do Centro de Campina Grandex destinados aos que buscam seus serviços. Foi através da observação do trabalho de outros meninos como ele que aprendeu a arte de polir os sapatos e comprou uma 'banquinha' para começar a receber alguns trocados.

"Tinha muitos meninos na época e aprendi vendo os outros. Hoje, somos poucos e não tem mais crianças trabalhando", relembra o engraxate. "Aqui tem cliente todo dia, de 9h até 17h eu estou trabalhando e recebendo mais sapatos. Não falta serviço nunca, não. Só não trabalho no domingo, mas o resto do dia não para de chegar sapato para ajeitar", contou.

Polindo pelo menos 10 pares de sapatos por dia, o profissional diz que vale a pena permanecer no atual trabalho. "Custa só R$ 4 o par [de calçados] para engraxar e, se deixar aqui comigo, eu entrego de um dia para o outro. Tem muita gente que trabalha no comércio aqui por perto e que deixa de manhã e vem buscar no final do dia também. Já trabalhei em muita coisa, mas não deu certo. É o que eu sei fazer e os clientes gostam ", garante.

Taiguara Rangel
Do G1 PB

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