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sábado, 8 de novembro de 2014

Polícia confirma que mulher aplicou hidrogel em mais 6 pacientes em GO

Maria José foi a última cliente de Raquel
(Foto: Aracylleny Santos/ Arquivo Pessoal)
Todas já prestaram depoimento e alegaram problemas de saúde após ato.
Outros cinco casos foram identificados, mas necessitam de confirmação.

A Polícia Civil confirmou que mais seis mulheres, além da ajudante de leilão Maria José Medrado de Souza Brandão, 39 anos, morta no último dia 25, aplicaram hidrogel no bumbum com a falsa biomédica Raquel Policena Rosa, de 27 anos. Segundo a delegada Myrian Vidal, titular do 17º Distrito Policial de Goiânia e responsável pelo caso, todas as vítimas já prestaram depoimento sobre o caso.

"São mulheres de 17 a 55 anos que fizeram a aplicação em Goiânia. O primeiro caso foi em julho e o último o da Maria José. Em todos eles, as pacientes tiveram problemas de saúde e precisaram procurar atendimento médico, com sintomas como falta de ar, fraqueza e dor nas pernas. Uma delas chegou a ficar internada por quatro dias", contou a delegada ao G1.

Raquel negou participação do namorado nas
aplicações (Foto: Sebastião Nogueira/O Popular)
A versão contraria o depoimento de Raquel, na última segunda-feira (3), quando disse que aplicou hidrogel em apenas quatro clientes e que Maria José não morreu devido ao procedimento. Ainda de acordo com Myrian, após serem ouvidas, as mulheres foram encaminhadas ao Instituto Médico Legal (IML) da capital para fazer exame de corpo de delito. O resultado dos laudos será usado para que a polícia decida se Raquel deverá ou não responder por lesão corporal nestes casos.

Além dos casos confirmados, a polícia ainda identificou outras cinco mulheres que podem ter passado pelo procedimento com a falsa biomédica. Elas serão chamadas à delegacia na próxima semana para saber se as suspeitas são verdadeiras.

Vídeo

A Polícia Civil divulgou na sexta-feira (7)imagens do circuito interno de um hotel no Setor Oeste que mostram o momento em que Maria José, que morreu um dia após aplicar hidrogel, sendo recebida por Raquel. A falsa biomédica ficou hospedada no local por três dias e aparece circulando com o namorado, identificado como Fábio, antes do procedimento. O hotel é onde a ajudante de leilão fez a primeira intervenção.

Um dos vídeos, gravado no dia 12 de outubro, mostra que, por volta das 19h10, Raquel, que usava um vestido preto, vai em direção ao elevador. Em seguida, às 19h24, Maria José e o filho entram no quarto. Após quase duas horas, às 21h18, a ajudante de leilão e o filho deixam o local e é possível perceber que eles mantêm uma conversa.

O depoimento de Fábio deveria ter ocorrido na sexta-feira, mas segundo a delegada, o advogado pediu um prazo maior para que ele se apresente, o que deve acontecer na próxima semana. O nome dele aparece em áudios obtidos no celular de Maria José e, segundo a polícia, não tem qualquer formação na área estética ou de saúde, mas participou das aplicações de hidrogel feitas na vítima.

Raquel negou que o namorado tenha participado das aplicações. Entretanto, o filho de Maria José afirmou que viu o rapaz efetuando o procedimento.

Para a polícia, ficou constatado que o socorro demorou a ser prestado e, por isso, ela deve responder por homicídio doloso, quando há intenção de matar. Além disso, tanto ela quanto o namorado podem responder por exercício ilegal da medicina.

Bioplastia

Raquel apresentou à polícia o certificado de conclusão de um curso de bioplastia no Instituto Folha Verde, em Mogi Guaçu (SP). Fábio também esteve presente nas aulas, mas não chegou a se matricular.

Segundo Carlos Firmino, coordenador do instituto, Raquel não poderia fazer qualquer procedimento sem a presença de um médico e que durante o curso nunca foi indicado o uso de hidrogel. No último dia 3, o curso foi suspenso e só será reaberto depois que exigências quanto à formação dos interessados forem estabelecidas.

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego), Erso Guimarães, disse que desconhece a profissão de bioplasta. "Existem 14 profissões regulamentadas pelo Ministério do Trabalho na área da saúde, como por exemplo, médico, enfermeiro e fisioterapeuta. Bioplasta não é um delas", afirmou.

Após a morte de Maria José, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) publicou uma resolução proibindo o trabalho médico em estabelecimentos como clínicas de estética e salões de beleza. A norma começou a vigorar no último dia 29 de outubro.

A falsa biomédica chegou a ser denunciada pela Vigilância Sanitária de Catalão, no sudoeste do estado, mais de três meses antes da morte de Maria José. Apesar disso, ela não foi encontrada pelo órgão.

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Sílvio Túlio
Do G1 GO

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