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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Prefeito morde orelha de professor que foi cobrar salário atrasado

Fonte Boa hora
Imagens Boa hora




No último sábado (19/12) um fato inusitado tomou conta dos meios de comunicação do estado: um prefeito teria mordido a orelha de um professor.


O caso aconteceu no município de Boa Hora, que possui cerca de 6.300 habitantes e penas 21 anos de emancipação, mas muita confusão política. Segundo o professor de educação física Paulo José, o prefeito Zé Resende, que recentemente filiou-se ao PT, o teria agredido numa colação de grau no município na última sexta-feira (18/12) e o caso foi parar na polícia após o registro de um Boletim de Ocorrência. O professor ainda se dirigiu ao hospital da cidade de Barras e realizou exames, cujo laudo apontou uma lesão causada por mordida. O 180 foi até o município apurar mais detalhes desta historia de está dando o que falar. Localizada a 109 km ao norte de Teresina, a cidade pacata só comenta o assunto e divide opinião dos populares. A reportagem conversou com o professor e divulga a entrevista exclusiva. Também conversou com o prefeito e sua entrevista será publicada posteriormente.

Professor Paulo José: ‘Prefeito Zé Resend
e agride quem é contra a sua ditadura’
Confira a entrevista com o professor Paulo José, de 37 anos, que recebeu em sua a reportagem do portal 180graus e falou do caso:

De que forma aconteceu o caso que o senhor relata na denúncia?

Estávamos na formatura de uma turma de ensino fundamental. Eu estava com minha sobrinha, que estava formando. Eu sou professor da Escola Cecília Coelho de Resende. Eu fui convidado, não estava de penetra. O professor tem que cumprimentar a mesa, já que os vereadores e o prefeito são autoridades da cidade. Quando fui cumprimentar o prefeito, pegou na minha nuca e foi falando no meu ouvido. Disse que eu só tinha 10 votos pro Robert Rios, que eu não tinha moral nenhuma e quem mandava na cidade. Em seguida já foi me mordendo. Depois de meia hora o pessoal disse que estava sangrando, passei a mão e vi que estava lesionado.

De que forma o senhor fez a denúncia?

Fiz o Boletim de Ocorrência e um laudo que constatou a mordedura. O exame foi feito em Barras e comprovou a lesão.

Exame de corpo de delito comprova lesão
O senhor havia falado que o prefeito costuma agir assim…
Ele já chegou a rasgar camisas de estudantes em outra ocasião, numa festa dos debutantes, isso é reincidente, no momento que precisar, só chamamos o conselho tutelar, os menores e os pais para provar, isso foi testemunhado por mais de 200 famílias. Todo mundo também viu quando ele me mordeu.

O que o prefeito tem falado sobre o caso?

Ele chegou a dizer na rádio dele que eu estava era querendo dinheiro, debochando. Nos meus ouvidos ele falou que eu era um ladrão sem vergonha, mas quando eu fazia campanha para ele, eu não era ladrão nem sem vergonha. Ele disse que é a oposição que mandou eu fazer isso, mas essa denúncia fiz por livre e espontânea vontade.

Foito feita após suposta agressão

Então o senhor já apoiou o prefeito?

Era eu quem fazia todos os comentários dele na campanha eleitoral, mas agora com salário atrasado, desde 2014, novembro e dezembro, metade do décimo, de todos os servidores, rompi com ele. Estamos com três salários atrasados, tem salário ainda de 2012, da outra gestão, quando ele era o vice-prefeito.

Na sua opinião, por que o refeito age assim?

Qualquer um que falar contra as ideologias dele, contra a forma de ditadura dele, ele vai e agride, não respeita ninguém, não respeita o cidadão de Boa Hora. Só fica bêbado dentro da cidade, não tem respeito nenhum. Onde ele está bebendo, ele está agredindo com palavras, fisicamente, moralmente e isso que é a realidade de Boa Hora, por isso que tomei essas providências, se não ele vai fazer de novo, ou com outras pessoas. Infelizmente muitos não têm coragem de falar da forma ditadora das perseguições, que aqui é desse jeito. Sem falar dos jagunços que ficam perto dele, três, cinco, dez jagunços, que são aquelas pessoas que recebem para bajular, com dinheiro público. Quem paga sou eu, com meus impostos, minha família e toda população de Boa Hora.



E o senhor tem cobrado os salários atrasados?

Salários atrasados cobramos todos os dias. Tenho duas crianças e uma esposa para dar de comer, os comércios estão cobrando, a energia tem que ser paga, se eu não fizer essa cobrança, estou sendo conivente e não vou receber meu salário de jeito nenhum. Todo povo de Boa Hora cobra esse salário.

No dia que o senhor diz que foi agredido, houve essa cobrança?

Naquele dia eu não cobrei, pois não era o momento adequado. Cobramos na prefeitura, através de ofício, nem na rádio fiz essa cobrança.

Que outras providências o senhor está tomando?

Já comuniquei o deputado Robert Rios, que vai tomar as providências, vamos comunicar o Ministério Público, Secretaria de Educação, isso aqui não pode ficar assim, já que sou professor e tenho que zelar pela minha dignidade.

Como o senhor avalia o comportamento do prefeito?

Há com certeza hipocrisia demais. Quando você faz um juramento perante a constituição, de zelar pelas coisas boas, pela ética da política, zelar pela educação, zelar pela saúde, mas quando chega aqui, a realidade é totalmente diferente, é triste. Não há ambulância na cidade. Medicamentos sempre faltam. Minha esposa vai pegar remédio lá e nunca tem, é preciso comprar, e nós estamos numa situação complicada, pois estamos sem salário.

E a educação do município?

Avaliando a educação com professor, está péssima em todos os sentidos. As salas são quentes e o rendimento dos alunos não é o mesmo. Quando as reportagens vêm na cidade, eles fecham as escolas para ninguém ver a situação delas. Eles escondem a realidade.

Sua família e população, como reagiram?

Quando cheguei em casa meus filhos perguntaram o que tinha sido isso, e eu tive que dizer, que foi o prefeito de Boa Hora. Os alunos estão decepcionados, por um gestor fazer isso com um professor. O trauma vai ficar. É uma coisa que vai ficar guardada pelo resto da vida. Para ele, pode ate esquecer, mas para mim, minha esposa e meus dois filhos, vai ficar.

Como o senhor se sente após a repercussão do caso?

Me sinto envergonhado, como todo mundo. Foi a maior vergonha de toda vida. Um gestor público fazer isso. Não existe uma vergonha pior do que ser constrangido num momento desse, já que estamos num país de liberdade, de expressão, de mudanças. Só moralmente a gente fica envergonhado, imagina ser lesionado.

O que o senhor espera que seja feito?

Quero que a justiça seja feita, que os órgãos competentes apoiem. Isso não pode continuar assim, se não acontecer com outros colegas. Hoje aconteceu comigo, amanhã pode ser um colega, um aluno, não pode ficar do jeito que está, com o gestor assim.

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