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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Planalto envia Jaques Wagner para conversar com deputado Hugo Motta

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PB agora
Fotos /L Barbosa.
Deputado federal Hugo Motta/PMDB-PB, foto / L Barbosa


Ciente de que Leonardo Picciani (RJ) pode perder a liderança do PMDB na Câmara, o Palácio do Planalto decidiu abrir a porta para uma eventual composição com o deputado Hugo Motta (PB). Último nome a se apresentar na disputa marcada para fevereiro, Motta esteve com dois ministros do núcleo próximo à presidente Dilma Rousseff para dizer que adotará "posição de neutralidade" caso fique com o cargo.

Ele se reuniu com Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) e Edinho Silva (Comunicação Social) e ontem recebeu a escalação de Jaques Wagner (Casa Civil) e de Giles Azevedo (Assessor Especial). No aceno mais explícitos nesses encontros, Motta se comprometeu a, caso eleito, não indicar para a comissão especial do impeachment apenas deputados favoráveis ao afastamento de Dilma. "A composição obedecerá a proporcionalidade da bancada do PMDB, que é eclética, com vários posicionamentos", disse Motta. A candidatura do deputado é vista como resultado da articulação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), para impedir a recondução de Picciani ao cargo. Cunha e Picciani eram aliados até o deputado decidir se alinhar ao Planalto, o que irritou o presidente da Câmara. A associação ao governo rendeu a Picciani a indicação de dois ministros no segundo mandato de Dilma. A escolha de Motta, no entanto, foi calculada por Cunha para embaralhar a leitura do governo sobre a disputa dentro do PMDB.

Apesar de aliado do presidente da Câmara, que é inimigo declarado do Planalto, Motta honrou acordos que fez com o PT e com o governo quando foi presidente da CPI da Petrobras, por exemplo. Foi ele o responsável por pautar e, depois, enterrar a convocação do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, à comissão.

Esse gesto deu a ele um "trunfo" nas conversas com integrantes da ala dilmista da sigla, que não podem acusá-lo de traição ou deslealdade. O vínculo com duas alas do PMDB —a que apoia Cunha e a que apoia Dilma— será a pedra fundamental do discurso de Motta contra Picciani.

Aliados da presidente afirmam que a principal aposta do Planalto continua sendo Picciani. Num primeiro momento, auxiliares de Dilma chegaram a oferecer um ministério (Aviação Civil) para um deputado do PMDB de Minas na tentativa de dividir o partido e favorecer Picciani.

Agora, porém, o governo decidiu suspender as negociações em torno da pasta até o desfecho da eleição interna. Segundo um interlocutor de Dilma, Motta "se dispôs a conversar e mostrar que não é inimigo" e o Planalto "não vai tratá-lo" como opositor neste momento. Entre Picciani e Motta, há ainda na disputa Leonardo Quintão (PMDB-MG). Este sim tem a candidatura rechaçada pelo governo e é visto como o que, entre os três, tem menos chance de vitória.


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