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sábado, 26 de março de 2016

Precipitação por impeachment racha partido', diz ministro

Por
MSN
A presidente Dilma e seu vice Michel Temer, que comanda reunião do PMDB na terça...

BRASÍLIA - Titular da pasta de Minas e Energia, o ministro Eduardo Braga critica o que considera “precipitação” do grupo do PMDB que prega o rompimento com o governo Dilma Rousseff e defende o adiamento da reunião do diretório nacional nesta terça-feira, dia 29. Para Braga, essa situação pode provocar um “impasse” dentro da legenda.
“Corremos o risco de a bancada do Senado não acompanhar a decisão do diretório”, disse o ministro, o que, segundo ele, colocaria em xeque a liderança do vice-presidente Michel Temer, presidente nacional do partido. Braga considera natural as conversas do vice com o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG). “Eu sempre fui a favor do diálogo... O que não pode ficar é aquele véu da conspiração e da traição, isso não pode ficar.”
O sr. apoia o desembarque?
O partido está dividido. Existe um grande número de deputados, senadores, líderes regionais, que advogam que a reunião do diretório não seja realizada no dia 29. A data que havia sido construída era dia 12. E há um outro grupo que defende o dia 29, esse grupo quer precipitar uma decisão. Nós entendemos que o PMDB, pela sua história e por tudo que contextualiza esse momento, tem que ter muita responsabilidade e prudência.
Que tipo de responsabilidade?
Estamos em pleno processo de impeachment. Agora, de que forma isso está sendo conduzido não só dentro da Câmara, mas também junto ao Supremo Tribunal Federal e a opinião pública nacional? O PMDB tem que ser protagonista neste caso, ou o PMDB tem que ter uma postura de equilíbrio, de compreender qual o papel que ele tem que exercer neste momento delicado, em que a Nação se encontra em enfrentamento na rua? Não dá para desconhecer isso.
Em que momento então vai se decidir se será dia 29 ou dia 12?
Não sei. Pode ser até que no dia 29 se decida que não vai ter uma decisão. Estão querendo conduzir isso de uma maneira tão precipitada dentro do partido que nem sequer discutimos internamente essa matéria. Ela não foi discutida com a bancada do Senado, que é uma das instâncias. Estive com o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira, que defendia claramente a prorrogação dessa reunião.
Adiar para o dia 12 é dar mais tempo para o ex-presidente Lula articular a favor do governo?
Não estamos falando do Lula, mas do PMDB.
Então é dar mais tempo para ministros do PMDB atuarem?
Não é questão dos ministros. As instâncias partidárias são diretórios, executiva, bancadas. A bancada da Câmara está dividida. A bancada do Senado está dividida. Conversei com o presidente do Senado, Renan Calheiros, ele disse que achava que deveria prorrogar, que não estava construída uma posição que unifique o partido para o dia 29. Nós temos divergências dentro do PMDB, mas uma das marcas que sempre foi importante dentro do PMDB é que sempre se conseguiu construir a unidade. Acabamos de dar uma demonstração nesse sentido na convenção. A precipitação dessa reunião vai no caminho contrário.
Uma vez decidido o desembarque, o sr. deixaria a pasta?
Eu preciso que após a reunião, se ela houver dessa forma e dessa maneira, a instância partidária que me indicou, que é a bancada do Senado, chegue com uma conclusão e diga: “Nós vamos acompanhar, não vamos”. Olha o risco que estamos correndo. Corremos o risco de a bancada do Senado não acompanhar a decisão do diretório. Não estou dizendo que não vai acompanhar, nem que vai acompanhar.
Isso colocaria em xeque a liderança de Michel Temer?
Acho que fica uma coisa muito complicada. Quando acabamos de sair de uma reunião em que o partido, por unanimidade, busca a unidade partidária e fortalece a posição do presidente Michel, e isso lhe deu força para que pudesse estar com musculatura nas negociações política, no ato seguinte, o que estamos fazendo é exatamente ir na contramão do que fizemos.
Um desembarque do PMDB atrairia outros partidos para o apoio ao impeachment?
Acho que aqueles que defendem isso, defendem dessa maneira. Agora, esse processo precisa ter consequências partidárias, em torno de projetos para o País. O Brasil vive um momento de divisão e enfrentamento que não é bom para o País, que está paralisado sobre vários aspectos por causa dessa divisão. E o PMDB não defendeu na convenção a divisão, mas exatamente a união e unidade e propostas claras.
Como o sr. vê a aproximação entre Temer e Aécio Neves?
Temos que ver com muito cautela. Eu sempre fui a favor do diálogo. Quando fui líder do governo, dialogava muito com a oposição na busca da construção de convergência. O que não pode ficar é aquele véu da conspiração e da traição, isso não pode ficar.
Ficou?
Não estou dizendo que ficou. Acho que não pode ficar. Essas conversas tem de ser claras e explicitadas de forma transparente, para que o conjunto da sociedade brasileira tenha conhecimento de que as conversas são positivas. Acho que todos deveríamos estar conversando.
Nessas conversas o sr. acredita realmente que está se buscando uma convergência ou já estão sendo discutidas a montagem de um novo governo?
Se for isso, acho uma precipitação. Não vejo espaço neste momento para isso.
Um dos motivos para o retorno ao governo do Lula é tentar desmobilizar o processo de impeachment. Ainda dá tempo para isso?
Não tenho que fazer uma avaliação sobre essa questão. Não conversei com ele para saber quais são as estratégias. O ex-presidente Lula vem para ajudar, tentar unificar e fazer com que haja uma unidade de projeto para o País. Agora, se ele vai ter tempo ou não, só o próprio tempo dirá.
O governo consegue segurar o impeachment na Câmara?
Isso é uma luta que vai acontecer no dia a dia no Congresso e que vai depender muitos dos fatos que acontecerão dia a dia. A capacidade de novos fatos é muito grande.

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