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segunda-feira, 21 de março de 2016

TCE teme que cidades da Paraíba sejam inundadas pela transposição

Por
G1
TCE teme que cidades da Paraíba sejam inundadas pela transposição

TCE teme que cidades da Paraíba sejam inundadas pela transposição
















O assoreamento e poluição dos rios da Paraíba que receberão as águas do rio São Francisco por meio das obras de transposição tem sido motivo de debate entre órgãos do Estado e especialistas. Uma fiscalização feita pelo Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) mostra que o problema pode fazer com a água não consiga passar pelo leito dos mananciais e inunde as cidades por onde a água deve passar.

O alerta do TCE foi feito com base em uma fiscalização realizada no perímetro irrigado das várzeas de Sousa, no Sertão paraibano, em um projeto parecido com o da tranposição. Na mata em volta do rio Piranhas, na região de Sousa, no Sertão paraibano, a vegetação seca esconde a poluição do rio. O TCE tainda constatou que o rio também sofre com assoreamento.

O perímetro irrigado possui um canal de 37 km que leva a água do açude de Coremas, na cidade de Coremas, para o açude São Gonçalo, em Sousa, e para o Rio Piranhas. O relatório mostra que não foi feito nenhum projeto para a recuperação, desassoreamento, retirada de vegetação ou lixo, além de recomposição da mata ciliar do rio Piranhas.

“Me parece que é um contrassenso fazer um bombeamento de uma água cara, para trazer para águas poluídas, ou sujeitas a poluição”, disse o conselheiro do TCE-PB, Fernando Catão. Quando as águas do São Francisco chegarem à Paraíba, o receio do TCE é que haja inundação no Rio Piranhas e no perímetro irrigado de Sousa.


No Rio Paraíba, em Monteiro, no Cariri paraibano, o Ministério Público Federal (MPF) apura se a construção de um canal da tranposição, ao lado do rio, impediria que o rio fique cheio. De acordo com o vice-prefeito de Monteiro, Ricardo Cajó, as águas da chuva estão ficando no canal, sem chegar ao Rio Paraíba. “No início da obra a gente identificou, no trecho que passo pelo perímetro urbano, que aconteceria um barramento futuro. As águas das chuvas que passam pela cidade e desceriam naturalmente para o leito do Rio Paraíba ficaram no canal, que está entre o a cidade e o rio”, disse Ricardo Jacó.

Ainda de acordo com vice-prefeito de Monteiro, o Ministério da Integração Nacional foi alertado sobre o problema e a possibilidade de inundação na cidade, com a chegada da transposição do São Francisco. “Como a terra está bem molhada e os açudes das proximidades estão cheios, uma chuva entre 150 a 180 milímetros com certeza provocará a inundação de água em várias casas nos bairros próximos obra do canal”, disse o vice-prefeito.

A água que entrará no Rio Paraíba deve ir até o açude de Poções, em Monteiro. Atualmente esse percurso está tomado pela vegetação. Segundo Ricardo Cajó é preciso fazer uma limpeza no açude, tanto da vegetação e retirar os moradores que invadiram a área. “O leito do Rio Paraíba está totalmente poluído e assoreado, com matas de algaroba, sem condições de correr água limpa, como receberemos do Rio São Francisco. Isso vai gerar um gasto grande, pois a água limpa será poluída e depois que ficar suja terá que passar por tratamento para ficar limpa de novo”, acrescentou o vice-prefeito.

O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfico do Rio São Francisco, Anivaldo Miranda, ressaltou que, se o problema não for resolvido, a população poderá não ter a água de qualidade que espera. “Se não houver a mesmo investimento na revitalização, similar ao que houve na tranposição, é claro que nós vamos ter graves problemas com qualidade e oferta de água na bacia”, destacou.

A Secretaria de Infraestrutura da Paraíba sabe dos problemas e afirma que estuda a solução. “Todas as calhas do rio vão precisar de pequenas intervenções. Todo mundo sabe que quando começa o período de chuva a água que cai em Monteiro consegue chegar ao açude de Boqueirão se nenhum problema. Então é claro que a calha do rio permite que essa água seja escoada. Será necessário fazer algumas intervenções na barragem de Camalaú e instalação de equipamentos hidráulicos para evitar que seja necessário esperar as barragens sangrarem para a água continuar a correr pelos rios”, disse o secretário João Azevedo.

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