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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Paraolimpíada no Rio tem avaliação geral positiva

Por 
Folha SP


Uma grande festa Paraolimpíada no Rio tem avaliação geral positivaO Parque Olímpico do Rio passou por sua prova de fogo durante a realização dos Jogos Paraolímpicos, que movimentaram em um só dia cerca de 170 mil pessoas, milhares delas com algum tipo de deficiência ou de mobilidade reduzida.

Nenhuma queixa de desorganização chegou a gerar eco durante o evento, tido de modo geral como um sucesso. Mas insatisfações e erros pontuais surgiram dentro e, sobretudo, fora das arenas.

Com ingressos com preços mais acessíveis que os da Olimpíada, os Jogos Paraolímpicos reuniam famílias inteiras nas arenas, que tiveram até "congestionamentos" de carrinhos de bebê.

A maior parte dos problemas apontados por duas dezenas de torcedores ouvidos pela Folha dizem respeito a falhas de acessibilidade como rampas fora de padrão ou inexistentes, banheiros com barras de apoio irregulares, campo de visão parcialmente afetado em locais reservados e dificuldades de embarque para cadeirantes e outras pessoas com restrições de movimentos próximo às áreas de competição.

Do público convencional, as reclamações foram mais frequentes em relação à desinformação de voluntários para indicar os lugares comprados nas arenas, às filas no transporte público na saída dos eventos e aos preços cobrados pela garrafa de água, R$ 8 e de refrigerante, R$ 10, dentro dos locais de prova.

Outra razão de descontentamento era a carência de detalhes sobre as condições físicas e sensoriais dos atletas. "Mas esses rapazes não têm nada. São todos saradões", dizia a aposentada carioca Clarice Nunes em prova da natação disputada por atletas com deficiência visual.

A professora Rita Petronilho, 45, que é cadeirante, foi de Juiz de Fora (MG) ao Rio. Ela foi à competição de tiro com arco, no Sambódromo, e observou problemas de acessibilidade na instalação.

"Algumas rampas eram de madeira e íngremes. Tive dificuldade de subir algumas sozinha, inclusive a do banheiro. No local para cadeirantes assistirem ao evento, encontrei o maior problema: a grade que separava o público do campo de competições era muito alta para quem estava sentado. Minha visão ficou comprometida", diz.


Voluntário ajuda a organizar o fluxo de pessoas durante a ParaolimpíadaZanone Fraissat/Folhapress


O ânimo geral, porém, foi de realização e criação de um marco inclusivo para o país, como avalia a jornalista Flávia Cintra, 42, que é tetraplégica. "Ver tudo funcionando direito, estar entre aquele mundo de gente entusiasmada com os jogos e me sentir parte de acontecimento tão importante foi um privilégio."

SINERGIA

O Comitê Organizador da Rio 2016 informou que poucas demandas por melhorias chegaram formalmente ao órgão, mas admite que tudo poderia ser "ainda melhor", nas palavras do diretor de comunicação, Mario Andrada.

"Fazemos todas as autocríticas. Poderíamos ter vendido mais ingressos, poderíamos ser mais bem organizados, mas o ponto mais duradouro é que não acreditamos, no princípio, que haveria uma sinergia entre públicos e atletas. E não apenas o comitê demorou a acreditar. A mídia foi cética, os governos foram céticos", diz.

Para ele, "foi um evento muito bem-sucedido. O brasileiro começou a gostar do esporte paralímpico, a entender o esporte e, com isso, admirar os competidores."

Já o poder do evento de deixar legado de mudança de mentalidade em relação a ambientes e ações inclusivas divide opiniões.


Movimento no Parque Paraolímpico em dia de competição nos JogosZanone Fraissat/Folhapress


A funcionária pública Laura Martins, 45, que é cadeirante e foi de Belo Horizonte (MG) ao Rio para prestigiar o evento, "está certa que sim".

"Foi possível notar um olhar diferente por parte das pessoas. No meio da rua, no metrô. Teve gente que me abordou em Copacabana para comentar o estado das calçadas. As pessoas precisam conviver com a diversidade, e a Paraolimpíada apresentou um mundo possível, que permite à pessoa com deficiência se expressar, mostrar que não é coitadinha."

Já Andrada, diretor do comitê, é mais comedido. "Não tenho dúvida de que todos levaram para casa uma mensagem de valorização das diferenças nos aspectos emocional e intelectual", diz ele.

"O problema é quão duradoura será essa mensagem. Não sei se vai durar o tempo necessário para que as pessoas mudem de atitude, se vai durar até o tempo necessário para que as pessoas pressionem o poder público para mudar de atitude."

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