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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Estabilidade' é principal argumento de voto pró-Temer; oposição vê corrupção

Na votação da denúncia por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer nesta quarta-feira (2), um dos argumentos mais usados pela base aliada para justificar o voto contra a denúncia foi a estabilidade política e econômica do país. Parlamentares da oposição, por outro lado, criticaram a política econômica e defenderam a necessidade de investigação para combater a corrupção.
Em sessão que durou cerca de 13 horas, o governo conseguiu barrar o prosseguimento da denúncia. Por se tratar de uma acusação contra o presidente da República, coube à Câmara decidir se autorizava ou não o Supremo Tribunal Federal (STF) a analisar a acusação.
VEJA COMO VOTOU CADA DEPUTADO
Assim como na votação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, os deputados foram chamados um a um no microfone para anunciar a sua posição em relação ao parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que recomendava a rejeição do andamento da denúncia.
A maioria dos deputados aproveitou os 15 segundos a que tinha direito para pronunciar o seu voto sobre para fazer um breve discurso.
“Voto pela mudança que está acontecendo neste país”, declarou Osmar Terra (PMDB-RS), que se licenciou do cargo de ministro do Desenvolvimento Social para participar da sessão, em uma estratégia do Palácio do Planalto para reforçar o apoio a Temer em plenário.
Ronaldo Nogueira (PTB-RS), que também foi exonerado temporariamente do comando do Ministério do Trabalho, disse que votava contra a denúncia “pelo progresso do Brasil e pela recuperação do emprego”.
O voto do deputado Paulo Maluf (PP-SP) foi na mesma linha: “Pelo progresso e pelas reformas, eu voto sim [a favor do parecer da CCJ]”, disse.
Entre os que votaram a favor do prosseguimento da denúncia para que fosse analisada pelo Supremo, o combate à corrupção foi a justificativa mais comum. “Sou a favor de as pessoas serem tratadas de forma igual. Quero um país longe da corrupção, por isso sou contra esse relatório”, afirmou a deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO).

“Esta Casa não pode continuar de costas para a sociedade”, emendou a deputada Luiza Erundina (SP).
O deputado Rubens Pereira Júnior (PCdoB-) mencionou a mala de dinheiro recebida pelo então deputado Rodrigo Rocha Loures, assessor de confiança de Temer. “Há uma mala cheia de dinheiro, há conluio com Rodrigo Rocha Loures. Afinal de contas, se mala cheia de dinheiro não for motivo suficiente para se processar alguém, o que mais seria? O que atrapalha o Brasil é a corrupção e a impunidade”, disse.
Votos sem relação com denúncia
No momento do voto, alguns deputados deixaram de lado a denúncia da PGR contra o presidente e utilizaram argumentos sem relação com o tema para justificar posicionamentos.
Foi o caso do deputado Victório Galli Filho (PSC-MT) que, ao votar a favor do presidente Michel Temer, disse que votava a favor da “liberdade religiosa” e pela não implantação da “ideologia de gênero” nas escolas brasileiras.
Delegado Éder Mauro (PSD-PA) disse que estava votando a favor de Temer porque defendia a estabilidade política e era contra a “esquerda comunista” que quer, na opinião dele, “ressuscitar bandidos que destruíram o país”.
Na mesma linha, Maro Feliciano (PSC-SP) disse que votava a favor de Temer porque a “queda do peemedebista seria a volta do PT e a volta da esquerda”.
Os parlamentares ignoraram, no entanto, que com um eventual afastamento de Temer, Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, assumiria a presidência da República.
Deputado presidiário
Entre os 263 votos a favor do relatório que rejeita denúncia contra Temer, um chamou atenção pela condição do votante, o deputado Celso Jacob (PMDB-RJ).
Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Jacob cumpre prisão em regime semiaberto pelos crimes de falsificação de documentos e dispensa de licitação cometidos enquanto era prefeito de Três Rios (RJ), em 2003.
O peemedebista tem autorização da Justiça para deixar a prisão durante o dia para trabalhar como parlamentar na Câmara dos Deputados.

Fonte: G1

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